Essa é, sem dúvida, uma das maiores preocupações no consultório urológico. O medo de que o tratamento para a Hiperplasia Prostática Benigna (HPB) comprometa a vida sexual faz com que muitos homens adiem a intervenção, permitindo que a doença evolua para estágios de maior gravidade.
No entanto, a urologia moderna evoluiu para a seletividade. Hoje, entendemos que a resposta para “se o remédio causa impotência” depende inteiramente da classe farmacológica utilizada e do perfil do paciente.
As Diferentes Classes de Medicamentos e a Função Sexual
Para aprofundar no assunto, precisamos separar os medicamentos pelo seu mecanismo de ação. Nem todo “remédio de próstata” age da mesma forma.
1. Alfa-bloqueadores (Ex: Tansulosina, Doxazosina)
Estes são os medicamentos mais prescritos. Eles atuam relaxando a musculatura lisa do colo vesical e da próstata, facilitando a passagem da urina.
Impacto na Ereção: Praticamente nulo. Estudos mostram que os alfa-bloqueadores não interferem no mecanismo hemodinâmico da ereção.
O Efeito Colateral Confundido: O que ocorre em alguns casos é a ejaculação retrógrada (o sêmen flui para a bexiga no momento do orgasmo). O paciente pode ter a sensação de que “perdeu o vigor”, mas a ereção e o prazer (orgasmo) permanecem intactos.
2. Inibidores da 5-alfa-redutase (Ex: Finasterida, Dutasterida)
Estes fármacos agem bloqueando a conversão da testosterona em di-hidrotestosterona (DHT), o hormônio responsável pelo crescimento da próstata.
Impacto na Ereção e Libido: Aqui existe um risco real, porém estatisticamente baixo (entre 3% a 5% dos pacientes). Como há uma modulação hormonal local, alguns homens podem notar redução da libido ou da firmeza da ereção.
Diferencial Clínico: Esse efeito costuma ser reversível após a suspensão do uso ou pode ser manejado com o ajuste da terapia pelo urologista.
3. Inibidores da PDE5 (Tadalafila 5mg Diária)
Uma das maiores revoluções na urologia foi a descoberta de que a Tadalafila, em doses baixas e contínuas, é extremamente eficaz para o tratamento da HPB leve a moderada.
O Tratamento “Dois em Um”: Esta medicação melhora a oxigenação dos tecidos pélvicos e relaxa a próstata, tratando simultaneamente os sintomas urinários e potencializando a função erétil. É a escolha de eleição para o paciente que teme a impotência.
Evidência Científica: O Estudo MTOPS
O embasamento para essas condutas advém de estudos de larga escala, como o Medical Therapy of Prostatic Symptoms (MTOPS), publicado no The New England Journal of Medicine. Este estudo acompanhou mais de 3.000 homens por anos e demonstrou que a terapia medicamentosa bem indicada é capaz de reduzir o risco de retenção urinária aguda e a necessidade de cirurgia em até 66%, com perfis de segurança sexual bem estabelecidos para a maioria da população.
Referência: McConnell JD, et al. “The long-term effect of doxazosin, finasteride, and combination therapy on the clinical progression of benign prostatic hyperplasia.” N Engl J Med. 2003.
HPB e Disfunção Erétil: Uma Via de Mão Dupla
Muitas vezes, a própria próstata crescida é a vilã da vida sexual, e não o remédio. O processo inflamatório crônico causado pela HPB e o estresse adrenérgico que o corpo faz para tentar esvaziar a bexiga podem prejudicar a vascularização peniana. Nestes casos, o tratamento urológico adequado não só protege o sistema urinário, como atua na reabilitação sexual do paciente.
A Importância da Individualização
A escolha entre a terapia farmacológica ou a intervenção cirúrgica depende do volume prostático, nível de PSA e qualidade da ereção prévia. O objetivo da medicina atual não é apenas fazer o paciente urinar melhor, mas garantir que ele o faça sem sacrificar sua masculinidade.
Especialista em Urologia e Saúde Masculina em Goiânia
O Dr. Marcel Cognette utiliza protocolos de alta precisão para o tratamento da hiperplasia prostática, priorizando terapias que preservem a função sexual e a qualidade de vida do paciente.
Dr. Marcel Cognette Urologista – CRM-GO 18450 | RQE 11228
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