Continência urinária após prostatectomia: quanto tempo leva para voltar e quando tratar?

Continência urinária

Vou voltar a segurar a urina depois da cirurgia de próstata?

Essa é uma das perguntas que mais escuto antes de uma prostatectomia radical.

Muitos pacientes chegam à consulta preparados para conversar sobre o câncer, a técnica cirúrgica e o tempo de internação.

Mas existe uma preocupação que costuma aparecer logo depois:

“Eu vou precisar usar fralda?”

A pergunta é legítima.

A continência urinária influência autonomia, rotina profissional, atividade física, vida social, sono e segurança emocional. Para muitos homens, o medo de perder urina se torna tão relevante quanto o próprio receio da cirurgia.

Por isso, não considero adequado responder apenas:

“A maioria melhora.”

Essa frase pode ser verdadeira, mas é incompleta.

A recuperação da continência não acontece da mesma forma para todos. Ela depende da anatomia do paciente, de sua condição urinária antes da operação, da extensão do tumor, da possibilidade de preservar estruturas e da experiência da equipe cirúrgica.

Também é necessário diferenciar duas situações:

  • a perda urinária esperada durante os primeiros meses de recuperação;
  • a incontinência persistente que precisa de investigação e tratamento específico.

A pergunta mais útil não é apenas se a continência voltará.

É:

qual é o risco individual, como posso favorecer a recuperação e em que momento não devemos continuar apenas esperando?

Por que pode haver perda de urina depois da prostatectomia?

Na prostatectomia radical, retiro a próstata e as vesículas seminais para tratar o câncer. Em seguida, reconstruo a continuidade do trato urinário, conectando novamente a bexiga à uretra.

A próstata está localizada imediatamente abaixo da bexiga e envolve parte da uretra.

Isso significa que a cirurgia acontece em uma região diretamente relacionada ao mecanismo urinário.

Antes da operação, o controle da urina depende da integração entre:

  • bexiga;
  • colo vesical;
  • uretra;
  • esfíncter urinário;
  • musculatura do assoalho pélvico;
  • estruturas de sustentação;
  • controle neurológico.

Depois da retirada da próstata, esse sistema precisa se reorganizar.

O esfíncter externo e o assoalho pélvico passam a assumir um papel ainda mais importante. Ao mesmo tempo, existe um período de cicatrização, adaptação muscular e recuperação do controle funcional.

Por isso, é comum que o paciente apresente algum grau de perda urinária depois da retirada da sonda.

Isso não significa que a cirurgia tenha falhado.

Significa que o mecanismo de continência está se adaptando a uma nova anatomia.

O que os médicos chamam de “continência”?

Esse é um ponto pouco explicado e que provoca grande confusão quando o paciente compara resultados de hospitais, cirurgiões ou estudos.

Não existe uma única definição de continência utilizada em todas as publicações.

Alguns estudos consideram continente apenas o paciente que não usa nenhum absorvente.

Outros aceitam o uso de um protetor fino por segurança, mesmo que ele permaneça praticamente seco.

Também existem trabalhos que avaliam:

  • número de absorventes por dia;
  • peso da urina perdida em 24 horas;
  • questionários de qualidade de vida;
  • episódios semanais;
  • percepção pessoal do paciente;
  • necessidade ou não de trocar o protetor.
Definição utilizadaO que significa
Continência estritaNão utilizar nenhum absorvente.
Continência socialNão utilizar absorvente ou usar apenas um protetor de segurança.
Continência por questionárioResultado baseado na frequência e no impacto relatados pelo paciente.
Teste do absorventeQuantificação do peso da urina perdida em um período determinado.

Por isso, duas equipes podem apresentar percentuais diferentes mesmo atendendo pacientes semelhantes.

Uma pode considerar continente o homem que usa um protetor seco por segurança.

Outra pode classificá-lo como incontinente porque ainda utiliza esse protetor.

Uma revisão sistemática sobre recuperação da continência após prostatectomia robótica demonstrou justamente que as diferenças de definição, período de avaliação e metodologia dificultam a comparação direta entre os resultados publicados.

Quando converso com um paciente, prefiro não reduzir a recuperação a uma porcentagem genérica.

Quero entender se ele consegue trabalhar, caminhar, praticar atividade física, sair de casa e dormir sem que a perda urinária controle sua rotina.

O que normalmente acontece depois da retirada da sonda?

Nos primeiros dias após a retirada da sonda, é comum que o paciente tenha dificuldade para controlar completamente a urina.

A perda pode ocorrer principalmente ao:

  • levantar-se de uma cadeira;
  • caminhar;
  • tossir;
  • espirrar;
  • rir;
  • subir escadas;
  • carregar peso;
  • mudar rapidamente de posição;
  • chegar ao fim do dia, quando a musculatura está mais cansada.

Alguns homens permanecem secos durante a noite, mas perdem urina quando estão em pé e ativos.

Outros apresentam também urgência para urinar.

Esse comportamento fornece informações importantes sobre o mecanismo envolvido.

Período aproximadoO que pode acontecer
Primeiros dias após a retirada da sondaPerda urinária frequente, principalmente com movimento e esforço.
Primeiras semanasInício da adaptação; o número de absorventes pode diminuir progressivamente.
Entre um e três mesesPeríodo em que muitos pacientes apresentam evolução mais perceptível.
Entre três e seis mesesA recuperação pode continuar de forma gradual.
Entre seis e 12 mesesAinda pode existir melhora, mas casos sem evolução precisam ser reavaliados.
Depois de 12 mesesA incontinência persistente e incômoda dificilmente deve ser tratada apenas com espera.

Essa linha do tempo não é uma promessa.

Alguns pacientes recuperam o controle rapidamente.

Outros precisam de vários meses.

O mais importante não é apenas quanto tempo passou, mas se existe uma tendência real de melhora.

Um homem que reduziu de seis absorventes para dois por dia está em uma situação diferente de outro que permanece utilizando seis absorventes, sem qualquer mudança, depois de vários meses.

A maioria dos pacientes recupera a continência?

A maior parte dos homens apresenta recuperação progressiva ao longo do primeiro ano.

Entretanto, isso não significa que todos chegarão ao mesmo resultado nem que a evolução ocorrerá na mesma velocidade.

A diretriz da American Urological Association, da Society of Urodynamics, Female Pelvic Medicine & Urogenital Reconstruction e da Society of Genitourinary Reconstructive Surgeons orienta informar ao paciente que a incontinência é esperada no curto prazo após a prostatectomia e geralmente melhora progressivamente até cerca de 12 meses.

A mesma diretriz reconhece que, em uma parcela dos pacientes, a perda persiste e pode precisar de tratamento.

É por isso que considero inadequado prometer:

  • continência imediata;
  • recuperação em determinado número de dias;
  • ausência completa de absorventes;
  • resultado garantido pela cirurgia robótica;
  • preservação funcional idêntica para todos.

A medicina pode estimar riscos.

Não pode transformar recuperação biológica em garantia.

Quais fatores influenciam a recuperação?

A continência depois da prostatectomia é multifatorial.

Isso significa que não depende de um único detalhe da cirurgia.

Uma revisão sistemática com mais de 130 mil pacientes identificou fatores associados à recuperação urinária, incluindo idade, comprimento da uretra membranosa, volume da próstata e presença de outras condições clínicas.

Na prática, considero diferentes grupos de fatores.

Características do paciente

  • idade;
  • peso e composição corporal;
  • diabetes;
  • doenças neurológicas;
  • capacidade muscular;
  • mobilidade;
  • condição cardiovascular;
  • tabagismo;
  • cirurgias prostáticas anteriores;
  • radioterapia prévia;
  • função urinária antes do tratamento.

Características anatômicas

  • comprimento funcional da uretra;
  • tamanho da próstata;
  • anatomia do colo da bexiga;
  • qualidade do esfíncter;
  • estruturas de sustentação;
  • posição do tumor;
  • relação da doença com os tecidos que podem ser preservados.

Características oncológicas

  • extensão do câncer;
  • suspeita de invasão além da próstata;
  • necessidade de retirada mais ampla de tecidos;
  • comprometimento próximo ao esfíncter;
  • necessidade de linfadenectomia;
  • possibilidade ou não de preservação neurovascular.

Características cirúrgicas

  • preservação adequada do comprimento uretral;
  • reconstrução da conexão entre bexiga e uretra;
  • controle do trauma tecidual;
  • preservação de estruturas de sustentação;
  • planejamento individualizado;
  • experiência do cirurgião;
  • qualidade da equipe e do acompanhamento pós-operatório.

Isso explica por que comparar dois pacientes apenas pela idade ou pelo tipo de cirurgia costuma ser insuficiente.

Dois homens de 65 anos podem apresentar anatomias, tumores e condições urinárias completamente diferentes.

A extensão do tumor pode limitar a preservação funcional

Todo planejamento cirúrgico deve buscar o melhor equilíbrio entre controle do câncer e preservação funcional.

Mas existe uma prioridade que precisa ser compreendida:

não posso preservar uma estrutura quando isso compromete a segurança oncológica.

Se o tumor está muito próximo de determinada região, infiltrando tecidos ou apresenta características de maior agressividade, pode ser necessária uma ressecção mais ampla.

Isso pode influenciar a recuperação urinária e sexual.

Essa decisão não deve ser tratada como falta de habilidade técnica.

Em alguns casos, retirar menos tecido pode ser funcionalmente atraente, mas oncologicamente inadequado.

A experiência em uro-oncologia aparece justamente na capacidade de reconhecer:

  • o que pode ser preservado;
  • o que precisa ser removido;
  • onde existe margem de segurança;
  • quando uma técnica de preservação é apropriada;
  • quando a prioridade oncológica exige uma abordagem mais ampla.

Por isso, a discussão sobre continência deve acontecer antes da cirurgia e depois da análise completa da ressonância, da biópsia e do estágio clínico.

Se você ainda está definindo seu tratamento, vale ler também Segunda opinião no câncer de próstata: o que avaliar após a cobertura da cirurgia robótica pela ANS.

Cirurgia robótica garante que não haverá incontinência?

Não.

A plataforma robótica oferece recursos importantes:

  • visão tridimensional ampliada;
  • instrumentos articulados;
  • maior liberdade de movimento;
  • precisão em espaços anatômicos estreitos;
  • dissecção delicada;
  • reconstrução com suturas precisas.

Esses recursos podem favorecer uma cirurgia tecnicamente refinada.

Mas o robô não identifica sozinho quais estruturas podem ser preservadas, não define a margem oncológica e não executa decisões clínicas.

É o cirurgião quem interpreta a anatomia e conduz cada etapa.

Uma revisão sistemática sobre volume cirúrgico e continência encontrou associação entre maior experiência do cirurgião e melhores resultados de recuperação urinária após prostatectomia.

Isso não significa que exista um número isolado capaz de garantir qualidade.

Significa que a prostatectomia possui uma curva de aprendizado real.

A plataforma amplia os recursos disponíveis.

A experiência determina como esses recursos serão utilizados.

Se você deseja compreender melhor essa diferença, leia também Cirurgia robótica de próstata no plano de saúde: tecnologia avançou, mas experiência cirúrgica continua sendo decisiva.

Preservação dos nervos significa preservação da continência?

Não necessariamente.

Os feixes neurovasculares estão relacionados principalmente à função erétil.

A continência depende predominantemente do esfíncter, da uretra funcional, do assoalho pélvico, da bexiga e das estruturas de sustentação.

Entretanto, a qualidade da preservação anatômica como um todo pode influenciar a recuperação funcional.

Por isso, técnicas de preservação neurovascular e de estruturas próximas podem se relacionar a uma cirurgia mais conservadora em pacientes bem selecionados.

Mas não é correto afirmar que preservar os nervos garante continência.

Também não é correto preservar estruturas sem considerar a localização do câncer.

Na minha avaliação, a preservação funcional começa pela compreensão individual da anatomia e dos limites oncológicos.

Exercícios antes da cirurgia realmente ajudam?

Podem ajudar principalmente na recuperação inicial.

O treinamento do assoalho pélvico permite que o paciente reconheça a musculatura responsável pelo controle urinário e aprenda a ativá-la corretamente.

Isso pode ser iniciado antes da cirurgia, quando existe tempo e indicação.

Uma revisão sistemática e meta-análise sobre exercícios pré-operatórios encontrou benefício na continência por volta do terceiro mês, mas não demonstrou diferença consistente nos resultados de seis e 12 meses.

Essa informação é importante.

O treinamento não funciona como garantia contra a incontinência.

Ele pode acelerar etapas da recuperação, melhorar o controle muscular e tornar o paciente mais preparado para o pós-operatório.

Um ensaio clínico randomizado publicado no BMC Urology também observou menor perda urinária e melhor função do assoalho pélvico em pacientes que iniciaram um programa estruturado antes da prostatectomia e o mantiveram depois da cirurgia.

A evidência ainda apresenta diferenças entre protocolos.

Mas existe um princípio prático importante:

aprender a contrair corretamente é mais relevante do que simplesmente repetir um grande número de contrações.

Fazer exercícios sozinho pode ser suficiente?

Depende.

Alguns pacientes conseguem identificar e ativar corretamente a musculatura após orientação inicial.

Outros contraem principalmente:

  • abdômen;
  • glúteos;
  • músculos internos das coxas;
  • musculatura respiratória.

Nesse caso, o paciente acredita que está treinando o assoalho pélvico, mas não produz a ativação necessária.

Também é possível realizar contrações com intensidade, duração ou frequência inadequadas.

Por isso, costumo valorizar a avaliação com fisioterapia pélvica especializada.

O fisioterapeuta pode utilizar:

  • avaliação funcional;
  • treinamento supervisionado;
  • biofeedback;
  • ultrassom;
  • exercícios de força;
  • exercícios de resistência;
  • contrações rápidas;
  • integração com movimentos cotidianos.

O objetivo não é apenas fortalecer.

É ensinar o paciente a ativar a musculatura no momento correto, como antes de tossir, levantar-se ou realizar esforço.

Quanto mais exercício, melhor?

Não necessariamente.

O assoalho pélvico também pode apresentar fadiga.

Um programa mal dosado pode levar o paciente a realizar contrações de baixa qualidade, recrutar outros músculos ou abandonar o treinamento por exaustão.

A recuperação exige regularidade, técnica e progressão.

Não apenas quantidade.

Por isso, não considero adequado oferecer uma prescrição genérica idêntica para todos os pacientes.

O treinamento deve considerar:

  • força inicial;
  • resistência muscular;
  • capacidade de relaxamento;
  • intensidade da perda;
  • momento da recuperação;
  • presença de dor;
  • urgência urinária;
  • outras alterações do assoalho pélvico.

Toda perda de urina depois da cirurgia é igual?

Não.

A perda mais característica após prostatectomia é a incontinência urinária de esforço.

Ela ocorre quando existe aumento da pressão abdominal e o mecanismo de fechamento não consegue impedir o escape.

Situações comuns incluem:

  • tosse;
  • espirro;
  • caminhada;
  • corrida;
  • mudança de posição;
  • levantamento de peso.

Mas alguns pacientes apresentam urgência urinária.

Nesse caso, surge uma vontade intensa e difícil de controlar, que pode provocar perda antes de chegar ao banheiro.

Também pode existir um quadro misto, com esforço e urgência.

Tipo de incontinênciaCaracterística principal
De esforçoPerda ao tossir, caminhar, levantar-se ou fazer força.
De urgênciaPerda acompanhada de vontade súbita e difícil de adiar.
MistaCombinação de esforço e urgência.
Por transbordamentoBexiga não esvazia adequadamente e ocorre gotejamento; é menos típica, mas precisa ser identificada.

Essa diferenciação muda o tratamento.

Fortalecer o assoalho pélvico pode ser importante na incontinência de esforço.

Já a urgência pode exigir investigação e tratamento da bexiga hiperativa.

Uma medicação pode reduzir urgência e frequência urinária, mas não corrige uma deficiência importante do esfíncter.

Antes de tratar, preciso definir qual mecanismo está causando a perda.

Como avalio a continência depois da prostatectomia?

A avaliação não deve se limitar à pergunta:

“Quantas fraldas você usa?”

O número de absorventes ajuda, mas não mostra toda a situação.

Um paciente pode trocar um protetor quase seco várias vezes por insegurança.

Outro pode permanecer com um absorvente completamente saturado durante horas.

Na consulta, procuro avaliar:

  • quando a perda começou;
  • se existe melhora ao longo das semanas;
  • quantidade e tipo de absorventes;
  • grau de saturação;
  • perda durante o dia ou à noite;
  • relação com esforço;
  • presença de urgência;
  • frequência urinária;
  • jato urinário;
  • sensação de esvaziamento incompleto;
  • infecção urinária;
  • dor;
  • histórico de radioterapia;
  • impacto na rotina e na qualidade de vida.

Dependendo do caso, podem ser utilizados:

  • diário miccional;
  • teste do absorvente;
  • exame de urina;
  • medição do resíduo urinário;
  • ultrassonografia;
  • cistoscopia;
  • estudo urodinâmico.

Nem todos os pacientes precisam de todos esses exames.

A investigação deve responder às dúvidas reais daquele caso.

Quando devo deixar de apenas esperar?

A recuperação pode continuar durante o primeiro ano.

Mas isso não significa que todo paciente precise aguardar 12 meses sem uma reavaliação estruturada.

A diretriz AUA/GURS/SUFU sobre incontinência após tratamento da próstata estabelece dois pontos importantes:

  • em pacientes com incontinência de esforço incômoda, sem melhora apesar do tratamento conservador, uma cirurgia pode ser discutida a partir de seis meses;
  • se a incontinência permanece incômoda depois de 12 meses apesar do tratamento conservador, deve ser oferecida uma alternativa cirúrgica.

Esses prazos não funcionam como datas automáticas.

Um paciente com melhora contínua aos sete meses pode continuar recuperando.

Outro, com perda intensa e completamente estável, pode merecer investigação e planejamento mais precoces.

Também não é necessário esperar seis meses para iniciar fisioterapia, quantificar a perda ou investigar urgência, infecção e dificuldade de esvaziamento.

O que deve ser evitado é a espera passiva.

Sinais de que a recuperação precisa ser reavaliada

Procure avaliação quando houver:

  • perda intensa sem melhora progressiva;
  • necessidade persistente de vários absorventes;
  • piora depois de um período de evolução;
  • urgência muito intensa;
  • dificuldade para urinar;
  • jato urinário progressivamente mais fraco;
  • sangue na urina;
  • dor;
  • infecções urinárias recorrentes;
  • incapacidade de retomar atividades;
  • impacto emocional ou social importante;
  • incontinência persistente depois de seis a 12 meses.

Em alguns casos, uma estenose da conexão entre a bexiga e a uretra pode modificar o fluxo urinário.

Em outros, a bexiga apresenta contrações involuntárias.

Também existem pacientes com deficiência esfincteriana predominante.

Essas situações não devem receber o mesmo tratamento.

Quais tratamentos existem?

O tratamento segue uma lógica progressiva e individualizada.

Reabilitação do assoalho pélvico

É uma das primeiras medidas após a prostatectomia.

Pode incluir:

  • exercícios orientados;
  • fisioterapia especializada;
  • biofeedback;
  • reeducação funcional;
  • treinamento antes de esforços;
  • acompanhamento da evolução.

O objetivo é acelerar e melhorar o controle durante o período de recuperação.

Ajustes comportamentais

Podem ser úteis:

  • evitar excesso de cafeína;
  • moderar álcool;
  • distribuir melhor a ingestão de líquidos;
  • tratar constipação;
  • melhorar controle de peso;
  • organizar intervalos urinários;
  • revisar medicamentos que aumentam produção de urina.

Esses ajustes não corrigem uma lesão esfincteriana importante, mas podem reduzir fatores que pioram a perda.

Tratamento da urgência urinária

Quando existe urgência ou bexiga hiperativa associada, posso considerar:

  • treinamento vesical;
  • fisioterapia;
  • medicamentos específicos;
  • investigação urodinâmica em situações selecionadas.

É importante separar urgência de incontinência de esforço.

Uma medicação para a bexiga pode reduzir a urgência, mas não substitui o tratamento de uma deficiência do esfíncter.

Sling masculino

O sling é uma faixa implantada cirurgicamente sob a uretra.

Seu objetivo é oferecer suporte e melhorar o fechamento urinário.

Ele costuma ser discutido principalmente em pacientes selecionados com incontinência de esforço leve ou moderada.

A indicação depende de fatores como:

  • intensidade da perda;
  • funcionamento do esfíncter;
  • histórico de radioterapia;
  • qualidade da uretra;
  • cirurgias anteriores;
  • exames realizados;
  • expectativas do paciente.

Ele não exige que o paciente acione uma bomba para urinar.

Entretanto, não é a melhor escolha para todos, principalmente em perdas intensas ou determinados casos após radioterapia.

Esfíncter urinário artificial

O esfíncter urinário artificial é uma prótese desenvolvida para substituir o mecanismo de fechamento que não funciona adequadamente.

O sistema possui:

  • um manguito ao redor da uretra;
  • um reservatório;
  • uma pequena bomba colocada no escroto.

Para urinar, o paciente aciona a bomba, o manguito é temporariamente descomprimido e a urina pode passar.

A diretriz da AUA recomenda discutir essa opção em homens com incontinência de esforço de intensidade leve a grave, especialmente quando a perda é mais relevante.

O paciente precisa ter capacidade manual e cognitiva para operar o dispositivo.

Também precisa compreender que, como qualquer prótese, o esfíncter pode perder eficácia, apresentar desgaste ou exigir revisão cirúrgica no futuro.

O ensaio clínico MASTER comparou sling masculino e esfíncter urinário artificial em homens com perda persistente após cirurgia prostática.

As duas estratégias reduziram sintomas e melhoraram a qualidade de vida. Entretanto, análises secundárias favoreceram o esfíncter artificial em alguns resultados e na satisfação dos pacientes.

A escolha não deve ser baseada apenas na preferência por uma cirurgia aparentemente mais simples.

Precisa considerar a intensidade da perda e a probabilidade de sucesso em cada caso.

Existe tratamento para a incontinência persistente comigo?

Sim.

Quando a perda urinária persiste depois da prostatectomia, posso conduzir uma avaliação urológica completa para identificar o mecanismo responsável, medir a gravidade e definir se o paciente ainda está em recuperação ou se já existe indicação de tratamento específico.

Essa avaliação pode incluir:

  • análise do histórico cirúrgico;
  • quantificação da perda;
  • avaliação de urgência e funcionamento da bexiga;
  • exame físico;
  • exames urinários;
  • ultrassonografia;
  • cistoscopia;
  • estudo urodinâmico quando necessário.

A partir disso, consigo organizar uma estratégia individualizada.

Em alguns pacientes, o melhor caminho ainda é intensificar ou corrigir a reabilitação do assoalho pélvico.

Em outros, é necessário tratar uma bexiga hiperativa associada.

Quando existe incontinência de esforço persistente e incômoda, também posso avaliar e planejar opções cirúrgicas como sling masculino ou esfíncter urinário artificial, considerando a intensidade da perda, o histórico de radioterapia, a condição da uretra e as expectativas do paciente.

O tratamento não deve começar pelo dispositivo.

Deve começar pelo diagnóstico correto do mecanismo da incontinência.

Experiência cirúrgica também significa acompanhar o resultado funcional

Minha atuação em cirurgia robótica não termina quando a próstata é retirada.

O controle oncológico é a primeira prioridade, mas a recuperação funcional também precisa ser acompanhada.

Minha formação em Urologia e Fellowship em Uro-Oncologia no Hospital de Câncer de Barretos, associadas à atuação em cirurgia minimamente invasiva, laparoscopia e cirurgia robótica com plataformas Da Vinci Si/Xi e certificação Intuitive Surgical, orientam um planejamento que considera o paciente antes, durante e depois da operação.

Isso inclui:

  • avaliação pré-operatória da função urinária;
  • análise da anatomia;
  • planejamento de preservação quando oncologicamente seguro;
  • orientação sobre assoalho pélvico;
  • acompanhamento da recuperação;
  • identificação precoce de alterações;
  • tratamento da incontinência persistente quando necessário.

Não considero adequado prometer que nenhum paciente terá perda urinária.

Considero adequado explicar o risco real, utilizar recursos técnicos para preservar função sempre que houver segurança e não abandonar o paciente quando a recuperação demora mais do que o esperado.

A continência não deve ser tratada como detalhe

A cirurgia de próstata não deve ser avaliada apenas pelo tempo de internação, pelo tamanho das incisões ou pela retirada completa do tumor.

O resultado também envolve a maneira como o paciente retorna à própria vida.

A continência urinária faz parte desse resultado.

Na maioria dos homens, o controle melhora progressivamente ao longo dos meses.

Mas, quando isso não acontece, existem etapas de investigação e tratamentos eficazes.

O erro está em dois extremos:

  • prometer uma recuperação imediata e garantida;
  • dizer ao paciente que ele precisa simplesmente se acostumar com a perda.

A abordagem mais responsável está entre esses dois pontos.

É compreender o risco antes da cirurgia, acompanhar a evolução, estimular a reabilitação e reconhecer o momento em que a espera deixou de ser suficiente.

Referências científicas

Está com perda de urina depois da prostatectomia?

Se você está em Goiânia ou região e ainda apresenta perda urinária depois da cirurgia de próstata, posso avaliar se o quadro faz parte da recuperação esperada, se existe algum fator dificultando a evolução e qual tratamento é mais adequado para o seu caso.

A avaliação permite diferenciar incontinência de esforço, urgência urinária, alterações da bexiga e problemas do trato urinário que exigem condutas diferentes.

Quando a perda persiste, existem alternativas que vão desde reabilitação especializada até tratamentos cirúrgicos, como sling masculino e esfíncter urinário artificial, conforme a intensidade e as características individuais.

Agende uma consulta pelo WhatsApp para uma avaliação individualizada da continência urinária.

WhatsApp: (62) 99669-0101

Dr. Marcel Cognette – Urologista | CRM-GO 18450 | RQE 11228