Nódulo no rim descoberto por acaso: quando investigar, acompanhar ou operar?

Nódulo no rim

Descobri um nódulo no rim sem sentir nada. Isso é câncer?

A maioria dos pacientes não descobre um nódulo no rim porque estava procurando um tumor.

Descobre por acaso.

Uma ultrassonografia solicitada por dor abdominal.

Uma tomografia feita no pronto-atendimento.

Um exame de rotina.

Uma investigação da coluna, do fígado, da vesícula ou do intestino.

O paciente não sente dor, não tem sangue na urina, não percebe nenhuma alteração. Ainda assim, o laudo traz uma frase que interrompe tudo:

“nódulo renal”.

Ou:

“lesão expansiva no rim”.

A primeira reação costuma ser tentar traduzir o achado em uma palavra só:

“É câncer?”

Essa é uma pergunta compreensível, mas insuficiente.

Porque “nódulo no rim” não é um diagnóstico. É um achado de imagem.

Pode representar desde um cisto simples, sem importância oncológica, até uma massa sólida suspeita de carcinoma de células renais. Pode ser uma lesão benigna. Pode ser um tumor pequeno e indolente. Pode ser um câncer localizado com possibilidade de cura. E, em alguns casos, pode exigir tratamento com planejamento cirúrgico refinado.

O erro está nos extremos.

Tratar todo nódulo como urgência oncológica pode levar a procedimentos desnecessários.

Tratar todo nódulo pequeno como irrelevante pode atrasar a intervenção em tumores com risco real.

A pergunta mais importante não é apenas se o nódulo é câncer.

A pergunta correta é:

qual é a natureza da lesão, qual é seu risco biológico e qual conduta preserva segurança oncológica sem sacrificar função renal desnecessariamente?

O achado incidental mudou a história do câncer de rim

Durante muito tempo, o câncer renal era lembrado por uma apresentação clássica: sangue na urina, dor lombar e massa palpável.

Hoje, essa tríade é rara.

A maior parte dos tumores renais localizados aparece antes de provocar sintomas, justamente porque os exames de imagem se tornaram mais frequentes e mais sensíveis.

Isso mudou a medicina.

De um lado, passamos a encontrar tumores menores, em fases potencialmente curáveis.

De outro, passamos a descobrir lesões que talvez nunca causassem problema clínico durante a vida daquele paciente.

Essa é a tensão central das pequenas massas renais.

A imagem passou a enxergar mais.

Mas enxergar mais não significa, automaticamente, tratar mais.

A uro-oncologia moderna precisa separar três situações completamente diferentes:

  • lesões benignas que não deveriam gerar tratamento;
  • tumores indolentes que podem ser acompanhados em pacientes selecionados;
  • tumores clinicamente relevantes que precisam de intervenção no momento certo.

A qualidade da decisão depende dessa separação.

“Nódulo no rim” não diz quase nada sozinho

Quando um paciente me mostra um laudo dizendo apenas “nódulo renal”, a primeira coisa que preciso saber é o que exatamente o exame está chamando de nódulo.

A palavra pode estar sendo usada para achados muito diferentes.

O que pode aparecer no laudoO que isso pode significar
Cisto simplesAlteração benigna muito comum, geralmente sem necessidade de tratamento.
Cisto complexoLesão cística com septos, paredes, calcificações ou realce; exige classificação de risco.
AngiomiolipomaTumor benigno, muitas vezes com gordura, mas que pode precisar de acompanhamento conforme tamanho e risco de sangramento.
OncocitomaTumor geralmente benigno, mas nem sempre fácil de diferenciar de carcinoma apenas por imagem.
Massa sólida com realceAchado mais suspeito para carcinoma renal e que exige avaliação uro-oncológica.
Lesão indeterminadaAchado que ainda não foi adequadamente caracterizado pelo exame realizado.

Essa distinção muda tudo.

Um cisto simples não deve receber o mesmo peso de uma massa sólida vascularizada.

Um cisto complexo não deve ser descrito apenas como “cisto”.

Uma lesão indeterminada não deve virar indicação cirúrgica antes de ser adequadamente caracterizada.

O diagnóstico começa antes da decisão terapêutica.

Começa pela qualidade da interpretação da imagem.

O exame que encontrou o nódulo pode não ser o exame que decide a conduta

Muitos nódulos renais são descobertos em exames que não foram feitos para estudar o rim com detalhe.

Isso é frequente em ultrassonografias gerais e tomografias sem contraste ou sem protocolo renal.

Esses exames podem identificar que existe uma alteração, mas não responder às perguntas necessárias para decidir o tratamento.

Para avaliar uma lesão renal, preciso entender:

  • se ela é cística, sólida ou mista;
  • se existe realce após contraste;
  • qual é o tamanho real;
  • onde está localizada dentro do rim;
  • se é periférica ou central;
  • se cresce para fora ou para dentro do parênquima;
  • se está próxima dos vasos renais;
  • se está próxima do sistema coletor urinário;
  • se há gordura macroscópica;
  • se existem linfonodos suspeitos;
  • se há sinais de invasão local;
  • como está o outro rim;
  • como está a função renal global do paciente.

Por isso, muitas vezes o primeiro passo não é operar.

Também não é acompanhar.

O primeiro passo é refazer a pergunta com o exame correto.

A American College of Radiology publicou recomendações específicas para massas renais incidentais porque nem todo achado visto em uma tomografia geral pode ser resolvido com o próprio exame que o descobriu.

Em alguns casos, a tomografia com protocolo renal é o exame mais adequado.

Em outros, a ressonância magnética oferece melhor caracterização, especialmente em lesões pequenas, císticas complexas, pacientes com contraindicação ao contraste iodado ou situações em que a tomografia não foi conclusiva.

A escolha não deve ser automática.

Deve responder à pergunta clínica que ainda está aberta.

O ponto mais importante da imagem: existe realce?

Uma das informações mais importantes na avaliação de um nódulo renal é saber se a lesão realça após contraste.

Realce significa que a lesão capta contraste de forma mensurável, sugerindo vascularização.

Essa informação ajuda a diferenciar cistos simples, lesões benignas e massas sólidas suspeitas.

Uma massa sólida que realça não deve ser tratada como achado banal.

Por outro lado, uma lesão sem realce e com características de cisto simples geralmente não exige a mesma preocupação.

Esse detalhe é tão importante que um exame sem contraste pode levantar a suspeita, mas muitas vezes não consegue concluir o raciocínio.

O contraste, quando pode ser utilizado com segurança, não serve apenas para “ver melhor”.

Serve para definir se aquela alteração se comporta como uma massa vascularizada.

E isso modifica a conduta.

Pequeno não significa inofensivo. Mas também não significa urgência

O tamanho importa.

Mas não decide sozinho.

Tumores maiores tendem a ter maior risco de agressividade do que tumores menores. Ainda assim, há tumores pequenos com comportamento relevante e massas maiores com comportamento menos agressivo.

Além disso, uma parcela expressiva das pequenas massas renais é benigna.

Em lesões muito pequenas, especialmente próximas de 2 cm, a chance de benignidade é clinicamente relevante. Dados de revisões e séries cirúrgicas mostram que pequenas massas renais podem incluir angiomiolipomas, oncocitomas e outras lesões não malignas.

Esse é o ponto que costuma ser mal compreendido:

a descoberta precoce melhora oportunidades de cura, mas também aumenta o risco de tratar lesões que talvez não precisassem de intervenção imediata.

A literatura chama essa tensão de “treatment disconnect”: a incidência de pequenos tumores renais aumentou com o uso de exames de imagem, mas isso não se traduziu de forma simples em redução proporcional da mortalidade. Parte do desafio está em distinguir o tumor que ameaça a vida do paciente daquele que ameaça principalmente sua tranquilidade.

Na prática, avalio o tamanho dentro de um conjunto maior:

FatorPor que importa
TamanhoAjuda a estimar risco oncológico, mas não define sozinho a conduta.
RealceSugere vascularização e aumenta suspeita em massas sólidas.
Componente císticoPode indicar lesão de menor agressividade, mas exige classificação.
LocalizaçãoTumores centrais costumam ser mais complexos que periféricos.
ProfundidadeLesões endofíticas exigem planejamento mais refinado.
Contato com vasosPode aumentar risco técnico e influenciar abordagem cirúrgica.
Contato com sistema coletorPode exigir reconstrução mais delicada do rim.
CrescimentoAjuda a definir vigilância ou intervenção.
Função renalDefine o peso da preservação de néfrons.
Idade e comorbidadesModificam a relação entre risco do tumor e risco do tratamento.

A pergunta nunca deve ser apenas:

“Quantos centímetros tem?”

A pergunta melhor é:

o que esses centímetros representam dentro daquela anatomia, naquele paciente e naquele contexto clínico?

Cisto no rim não é sinônimo de câncer

Cistos renais são frequentes.

Muitos são simples, benignos e não exigem tratamento.

O problema é que a palavra “cisto” pode dar uma falsa tranquilidade quando a lesão é complexa.

Cistos complexos apresentam características como septos, paredes espessadas, calcificações, nódulos internos ou realce. Nesses casos, utilizamos a classificação de Bosniak para estratificar risco.

A atualização conhecida como Bosniak 2019 surgiu justamente para melhorar a precisão na avaliação de massas renais císticas, incorporar melhor o uso da ressonância e reduzir tratamentos desnecessários de lesões indolentes ou benignas.

De forma prática:

Classificação geralInterpretação clínica
Bosniak ICisto simples, benigno.
Bosniak IILesão benigna ou praticamente benigna.
Bosniak IIFBaixo risco, mas exige acompanhamento por imagem.
Bosniak IIIRisco intermediário; pode exigir cirurgia ou vigilância em casos selecionados.
Bosniak IVAlta suspeita de malignidade; geralmente exige tratamento.

Essa classificação não deve ser interpretada fora do exame.

Também não deve ser usada como tabela rígida.

Um Bosniak III em um paciente jovem e saudável pode levar a uma discussão diferente de um Bosniak III em um paciente idoso, com múltiplas comorbidades e alto risco cirúrgico.

A imagem orienta.

O contexto decide.

Quando a vigilância ativa é uma escolha médica, não uma omissão

A vigilância ativa ainda é interpretada por muitos pacientes como “não fazer nada”.

Essa é uma percepção equivocada.

Vigilância ativa é uma estratégia estruturada.

Ela significa acompanhar uma lesão com exames programados, critérios de progressão e possibilidade de intervenção se o comportamento mudar.

Ela pode ser considerada principalmente em massas pequenas, pacientes idosos, pessoas com alto risco cirúrgico, função renal delicada, lesões de comportamento aparentemente indolente ou situações em que o risco do tratamento supera o risco imediato da doença.

A American Urological Association reconhece a vigilância ativa como alternativa em massas renais selecionadas, incluindo massas sólidas menores que 2 cm e lesões císticas complexas predominantemente císticas em contextos específicos.

Estudos de vigilância ativa mostram que muitos pacientes são observados com segurança quando bem selecionados e acompanhados de perto. Em uma série publicada no European Urology, pacientes em vigilância ativa tiveram baixa mortalidade câncer-específica em cinco anos, e a progressão para metástase foi rara quando o acompanhamento foi cuidadosamente conduzido.

Isso não significa que todo nódulo pequeno deva ser observado.

Significa que nem todo nódulo pequeno precisa ser tratado no mesmo dia em que foi descoberto.

O que torna a vigilância segura não é a passividade.

É o critério.

Uma vigilância adequada precisa definir:

  • qual exame será usado como referência;
  • em quanto tempo será repetido;
  • qual crescimento muda a conduta;
  • quais alterações morfológicas preocupam;
  • quando considerar biópsia;
  • quando indicar intervenção;
  • se o paciente tem condições de manter seguimento regular.

A pior vigilância é a informal.

A melhor vigilância é aquela que tem plano.

Quando eu penso em biópsia renal?

A biópsia de massa renal pode ser muito útil.

Mas não é obrigatória em todos os casos.

Essa é uma diferença importante em relação a outros tumores.

Em muitos nódulos renais, a combinação entre imagem, características anatômicas e contexto clínico permite definir a conduta sem biópsia prévia.

Em outros, a biópsia pode evitar uma cirurgia desnecessária ou mudar completamente a estratégia.

Costumo considerar biópsia quando o resultado pode modificar a decisão.

Exemplos:

  • lesão pequena em que vigilância ativa é uma opção real;
  • suspeita de tumor benigno, como oncocitoma ou angiomiolipoma pobre em gordura;
  • paciente de alto risco cirúrgico;
  • planejamento de ablação;
  • suspeita de linfoma, metástase, infecção ou doença inflamatória;
  • massa renal em paciente com outro câncer conhecido;
  • lesão em que o tratamento não será automaticamente cirúrgico.

Por outro lado, a biópsia pode não acrescentar muito quando a cirurgia será indicada independentemente do resultado, ou quando a lesão é tão pequena que a chance de amostra não diagnóstica torna o procedimento pouco útil.

Também é importante explicar suas limitações.

Pode haver resultado inconclusivo.

Pode ser necessário repetir.

E, mesmo quando a biópsia confirma malignidade, ainda é preciso decidir se aquele tumor deve ser tratado agora ou acompanhado.

A biópsia não substitui o raciocínio clínico.

Ela entra quando melhora a qualidade da decisão.

Quando operar passa a ser a melhor decisão?

A cirurgia entra com mais força quando a lesão tem suspeita oncológica relevante, o paciente tem condição clínica para tratamento e existe intenção curativa.

Nesse cenário, a pergunta central deixa de ser apenas se deve operar.

Passa a ser:

como remover o tumor preservando o máximo possível de rim saudável?

A European Association of Urology recomenda oferecer nefrectomia parcial para tumores T1 sempre que tecnicamente possível. A AUA também prioriza a nefrectomia parcial para lesões cT1a, reconhecendo a importância de preservar função renal sem comprometer controle oncológico.

Esse ponto precisa ser reforçado.

O rim não é um órgão descartável apenas porque existe outro.

Perder tecido renal pode ter impacto ao longo da vida, especialmente em pacientes com hipertensão, diabetes, doença renal crônica, idade avançada ou risco cardiovascular.

Preservar rim significa preservar néfrons.

Preservar néfrons significa preservar reserva funcional.

E reserva funcional pode importar muito anos depois da cirurgia.

Nefrectomia parcial: retirar o tumor, não o rim inteiro

A nefrectomia parcial é a cirurgia em que retiro apenas o tumor, preservando o restante do rim.

Parece simples quando descrito assim.

Na prática, pode ser uma das operações mais delicadas da uro-oncologia.

Porque não basta cortar o nódulo.

É necessário controlar vasos, preservar parênquima saudável, reconstruir o rim, evitar sangramento, proteger a via urinária e manter margem oncológica adequada.

Durante uma nefrectomia parcial, algumas decisões acontecem antes da cirurgia e outras durante o procedimento.

Preciso saber:

  • onde entrar no rim;
  • qual plano de ressecção seguir;
  • quanto tecido preservar;
  • onde está a vascularização relevante;
  • se será necessário clampear o hilo renal;
  • quanto tempo o rim ficará sob isquemia;
  • se o sistema coletor será aberto;
  • como reconstruir o parênquima;
  • como equilibrar margem e preservação funcional.

Dois tumores de 3 cm podem ser completamente diferentes.

Um pode estar na periferia, afastado dos vasos, com ressecção relativamente favorável.

Outro pode estar profundo, próximo ao hilo renal, comprimindo o sistema coletor e exigindo reconstrução complexa.

O tamanho é o mesmo.

A cirurgia não é.

Cirurgia robótica no nódulo renal: precisão não é automatismo

A cirurgia robótica tem papel importante na nefrectomia parcial, especialmente quando a preservação renal exige suturas delicadas, visão ampliada e movimentos precisos em uma região anatômica complexa.

A plataforma robótica pode favorecer:

  • dissecção mais precisa;
  • controle vascular refinado;
  • sutura intracorpórea mais delicada;
  • reconstrução renal mais eficiente;
  • preservação de tecido renal saudável;
  • abordagem minimamente invasiva;
  • recuperação potencialmente mais rápida em casos selecionados.

Mas existe um ponto que sempre reforço:

o robô não decide o que deve ser preservado.

Ele não interpreta a tomografia.

Não escolhe a margem.

Não sabe se o tumor pode ser enucleado.

Não decide se a nefrectomia parcial é segura.

Não reconhece sozinho quando uma cirurgia radical é mais adequada.

A tecnologia amplia a capacidade técnica do cirurgião.

Mas planejamento, julgamento anatômico e decisão oncológica continuam humanos.

Essa discussão é semelhante ao que acontece na cirurgia robótica de próstata: a plataforma é avançada, mas a experiência cirúrgica continua sendo decisiva.

Quando retirar o rim inteiro ainda pode ser necessário?

Preservar o rim é uma prioridade sempre que possível.

Mas não a qualquer custo.

A nefrectomia radical, retirada completa do rim, ainda pode ser necessária quando a preservação parcial compromete a segurança oncológica ou não é tecnicamente viável.

Isso pode ocorrer em tumores muito grandes, centrais, próximos de estruturas críticas, com invasão local, anatomia desfavorável ou quando o rim já tem função muito reduzida.

O erro não está em realizar uma nefrectomia radical quando ela é necessária.

O erro está em retirar o rim inteiro sem discutir se havia possibilidade segura de preservação.

Também seria um erro tentar preservar parcialmente o rim quando isso aumenta de forma inaceitável o risco oncológico.

O bom planejamento não escolhe sempre a cirurgia menor.

Escolhe a cirurgia mais adequada.

SituaçãoConduta que pode ser discutida
Cisto simplesGeralmente sem tratamento.
Lesão indeterminadaMelhor caracterização por tomografia ou ressonância.
Massa sólida pequena em paciente frágilVigilância ativa ou biópsia podem ser consideradas.
Massa pequena em paciente jovem e saudávelNefrectomia parcial costuma entrar fortemente na discussão.
Tumor central ou complexoNefrectomia parcial pode ser possível, mas exige planejamento refinado.
Tumor grande ou com invasãoNefrectomia radical pode ser necessária.
Paciente com rim único ou doença renal crônicaPreservação renal ganha peso ainda maior.
Alto risco cirúrgicoAblação ou vigilância podem ser consideradas em casos selecionados.

Ablação: menos invasiva, mas não para qualquer caso

A ablação destrói o tumor por energia térmica, como crioablação ou radiofrequência.

Pode ser útil em pacientes selecionados, principalmente com tumores pequenos, localização favorável e risco cirúrgico elevado.

Não deve, porém, ser apresentada como solução universal.

Em determinados cenários, a ablação pode apresentar maior risco de recorrência local do que a cirurgia e exige seguimento rigoroso.

Por isso, costumo avaliá-la com cautela.

Ela pode fazer sentido quando o risco cirúrgico é alto ou quando a preservação funcional precisa ser equilibrada com uma abordagem menos invasiva.

Mas, quando o paciente é bom candidato à nefrectomia parcial e o tumor é tecnicamente ressecável, a cirurgia ainda costuma oferecer maior controle anatômico e oncológico.

O tratamento menos agressivo na aparência nem sempre é o tratamento mais seguro no resultado.

O que eu preciso ver antes de dizer “acompanhar” ou “operar”?

Uma decisão responsável sobre nódulo renal não deve ser tomada apenas com o texto do laudo.

Na consulta, procuro reconstruir o caso.

Preciso ver:

  • o exame original;
  • as imagens, não apenas o laudo;
  • se houve contraste;
  • se o protocolo foi adequado;
  • exames anteriores para comparar crescimento;
  • creatinina e função renal estimada;
  • presença de hipertensão, diabetes ou doença renal;
  • idade e expectativa funcional;
  • histórico familiar;
  • tabagismo;
  • sintomas associados;
  • risco cirúrgico;
  • preferência do paciente após entender os cenários.

A imagem mostra a lesão.

Mas a decisão pertence ao paciente inteiro.

Um mesmo tumor pode ter condutas diferentes em pessoas diferentes.

Um nódulo de 2 cm em um paciente jovem, saudável, com rim único e histórico familiar não é a mesma coisa que um nódulo de 2 cm em um paciente de 85 anos, com múltiplas comorbidades e expectativa de vida limitada.

A medicina baseada em evidência não é aplicar uma regra cega.

É aplicar a melhor evidência ao paciente real.

O nódulo apareceu junto com sangue na urina?

Quando o nódulo renal aparece em um contexto de sangue na urina, o raciocínio muda.

Hematúria pode ter muitas causas: cálculo, infecção, alterações prostáticas, doenças renais clínicas e tumores do trato urinário.

Mas sangue visível na urina, especialmente sem dor e sem causa demonstrada, não deve ser ignorado.

Se o paciente descobriu a lesão renal durante investigação de hematúria, preciso avaliar não apenas o rim, mas também ureter, bexiga e próstata, conforme o contexto.

Nesses casos, a investigação pode incluir exames de imagem específicos, exame de urina, citologia em situações selecionadas e cistoscopia quando indicada.

Se você deseja entender melhor esse sintoma, leia também Sangue na urina é câncer? Quando a hematúria exige investigação urológica.

O tratamento do nódulo renal não termina no centro cirúrgico

Quando a cirurgia é indicada, o objetivo imediato é remover a lesão com segurança.

Mas a decisão não termina ali.

Depois do tratamento, o paciente precisa de acompanhamento.

O seguimento depende do tipo de tumor, estágio, grau, margens, função renal e risco de recorrência.

Pode envolver:

  • exames de imagem periódicos;
  • avaliação da função renal;
  • controle de pressão arterial;
  • orientação sobre fatores de risco;
  • acompanhamento oncológico quando necessário;
  • vigilância do rim remanescente;
  • atenção ao rim contralateral.

Mesmo quando tudo ocorre bem, preservar função renal continua sendo parte do cuidado.

A cirurgia remove o tumor.

O acompanhamento preserva o resultado.

O que posso fazer pelo paciente que descobriu um nódulo no rim?

Quando um paciente chega com um nódulo renal descoberto por acaso, minha primeira função não é apressar uma cirurgia.

É organizar a decisão.

Na avaliação, posso:

  • revisar o laudo e as imagens;
  • identificar se o exame inicial foi suficiente;
  • solicitar tomografia ou ressonância com protocolo renal quando necessário;
  • diferenciar cisto simples, cisto complexo, massa sólida e lesão indeterminada;
  • avaliar função renal e risco clínico;
  • estimar o risco oncológico da lesão;
  • discutir se a biópsia pode mudar a conduta;
  • indicar vigilância ativa em casos selecionados;
  • planejar nefrectomia parcial quando há possibilidade de preservar o rim;
  • indicar nefrectomia radical quando a preservação não é segura;
  • discutir ablação em pacientes com perfil adequado;
  • acompanhar a evolução após vigilância ou tratamento.

Quando há indicação cirúrgica, minha atuação em cirurgia minimamente invasiva, laparoscopia e cirurgia robótica permite discutir estratégias de preservação renal sempre que isso for tecnicamente possível e oncologicamente seguro.

A nefrectomia parcial robótica pode ser especialmente relevante quando o objetivo é retirar o tumor mantendo o máximo possível de rim saudável.

Mas a técnica nunca deve vir antes da indicação.

A ordem correta é:

entender a lesão, estimar o risco, avaliar o paciente e só então escolher a melhor estratégia.

A decisão certa raramente nasce da pressa

Descobrir um nódulo no rim por acaso pode gerar medo.

Esse medo é compreensível.

Mas a pressa nem sempre melhora a decisão.

Algumas lesões precisam de tratamento.

Outras precisam de melhor caracterização.

Algumas podem ser acompanhadas.

Outras exigem cirurgia com intenção curativa.

O que não deve acontecer é transformar um achado incidental em uma decisão automática.

A uro-oncologia moderna exige mais do que identificar uma massa.

Exige entender sua biologia provável, sua anatomia, seu impacto funcional e o risco individual do paciente.

Em muitos casos, o principal desafio não é apenas retirar o nódulo.

É saber se ele deve ser retirado, quando deve ser retirado e quanto rim pode ser preservado no processo.

Essa é a diferença entre tratar uma imagem e cuidar de uma pessoa.

Referências científicas

Descobriu um nódulo no rim em um exame?

Se você está em Goiânia ou região e recebeu um laudo mostrando nódulo renal, massa no rim, lesão sólida ou cisto complexo, uma avaliação especializada pode ajudar a entender se o achado representa risco, quais exames ainda são necessários e qual conduta faz mais sentido para o seu caso.

Na uro-oncologia moderna, decisões bem conduzidas dependem da integração entre imagem, função renal, características da lesão, saúde geral do paciente e segurança oncológica.

Em muitos casos, o principal desafio não é apenas tratar o nódulo.

É saber quando tratar, quando acompanhar e quando é possível preservar o rim sem comprometer o controle da doença.

Agende uma consulta pelo WhatsApp para uma avaliação individualizada do seu caso.

WhatsApp: (62) 99669-0101

Dr. Marcel Cognette – Urologista | CRM-GO 18450 | RQE 11228